Cthulhu Crisis

O Herdeiro Maldito - Quarta Parte

VIOLÊNCIA EM CHICAGO

A noite era silenciosa no distante campo onde ficava a mansão dos King. A lua cheia iluminava o céu, enquanto a brisa suave e fria lentamente afagava as folhas dos verdejantes carvalhos que decoravam o jardim da rica casa. Contrastando com a placidez da cena, Watson e Manfredini se encaravam com olhares furiosos.

Se o policial sabia da morte do professor, era questão de tempo até que Hudson denunciasse os investigadores, ainda mais porque, segundo Manny, policiais foram enviados para questionar Hudson. Caso isso acontecesse, seria uma guerra declarada: a corrupta polícia, a máfia e a Ordem poderiam facilmente derrubá-los. Era preciso silenciar o reitor – se palavras não resolvessem o problema, certamente uma bala daria um fim no assunto, ou ao menos no reitor.

Assim que Manfredini abandona a mansão, os investigadores logo começam a pensar em um plano para impedir Hudson de os denunciarem. Watson e Oliver sugerem o uso de um obstáculo para impedir as viaturas que levariam Hudson para a delegacia, se eles fossem rápidos o suficiente para interceptá-las. Eles improvisam o objeto com algumas cercas metálicas. Após o guardarem no carro de John Price, eles se dirigem a uma rua em que os policiais provavelmente passariam. Lá chegando, eles estendem o obstáculo na rua, Oliver e Holmes se escondem em um mesmo beco, enquanto John e Van Helsing aguardam na esquina, ainda no carro.

Cortando o silêncio da noite, duas viaturas lentamente passam pela rua onde se encontram os investigadores. Sem perceber a armadilha, uma delas acerta o obstáculo, derrapando e acertando um prédio. Enquanto isso, a outra viatura para e um policial desce dela. Rapidamente, Oliver e Holmes o matam. Fumaça e fogo dominavam a viatura avariada, mas uma figura ousou abandonar o caos flamejante do veículo destruído: era o próprio Hudson. Dotado de um ímpeto nefasto, Price dá ré em seu carro, mira no reitor e o acerta com tudo. Holmes confirma a morte atirando contra sua cabeça. Eles haviam matado o reitor.

CARTAS E SONHOS

Watson havia decidido ficar na mansão. Após passar algum tempo observando o crepitante fogo na imensa lareira de tijolos da mansão dos Kings, ele sai para andar pela casa. Indo até a sala de jantar, ele encontra Malvina, com um lenço rubro amarrado aos olhos, jogando tarô. A sala de jantar possuía um imenso lustre elétrico, dourado e adornado de prata. Uma colossal mesa de madeira nobre, porém rústica, estendia-se em meio ao salão de teto abobadado, cujas paredes de cor clara eram cobertas por quadros representando bucólicas paisagens e armários contendo cristais e louças nobres.

Malvina murmurava palavras desconhecidas por Watson. Ele, cautelosamente, se aproxima da cartomante. Antes de chegar realmente perto, Lubov anuncia já saber da presença dele. Ele pergunta se ela poderia ensiná-lo algo sobre Tarô. Com um sorriso sarcástico, ela diz que sim. Ela se levanta, tira o lenço do rosto e pede a Watson que se sente diante as cartas. Ela passa sua mão pelo rosto de Watson e cobre seus olhos com o lenço. Ao organizar as cartas, ela pede que ele as embaralhe, as espalhe sobre a mesa e pegue três cartas. Ele primeiro pega a carta do andarilho, que Malvina diz se tratar de alguém que procura, mas jamais encontra o que deseja. Logo depois, Watson tira a carta do homem pendurado, que significa um conflito decisivo, um ponto de mudança; entretanto, a última carta surpreende aos dois. A mão de Watson se aproxima lentamente de uma carta solitária ao canto da mesa, cujos seus dedos tocam lentamente, cada poro tocando as fibras azuladas da pequena e misteriosa carta que continha o destino último e inexorável; a carta que revelaria o tempo por vir, a sabedoria adquirida, a verdade revelada pelos deus do azar; mas Fortuna não estava ao lado de Watson. Ele vira a carta, suando frio, para descobrir seu destino.

O diabo.

Malvina abandona a sala com uma leve risada. Watson retira o véu de seus olhos.

Nesse momento, o resto dos investigadores retorna à mansão. Eles encaram Watson e com um gesto, confirmam o que haviam feito. Palavras não eram necessárias.

Watson dormia em seu grande quarto, sobre um confortável colchão em uma cama de cedro claro, com o quarto sendo iluminado pela prateada luz da lua que atravessava as janelas de seu quarto. Entretanto, em seus sonhos, ele é perturbado por uma voz feminina. “Gêmeos, Serpentário, Peixes, Escorpião, Libra, Cordeiro”, ele escuta repetidas vezes. Atormentado, ele desperta, para ver Malvina frente a ele, de olhos fechados, falando aquelas palavras. Ele tenta a acalmar, mas é em vão. Dentro de alguns momentos, ela retorna ao seu quarto.

O OCULTO DEVE ESPERAR

O advogado havia dormido muito mal. Pesadelos o atormentaram por toda a noite. Contudo, ele precisava entender o que havia acontecido na noite passada; para tal, ele pretendia acordar cedo para falar com Malvina.

Chegando ao quarto da mulher, ele a acorda. Ela abre seus olhos, revelando sua negra íris e contempla Watson, curiosa. Inicialmente sem palavras, Watson repete exatamente o que ela falou para ele, informando-a do que aconteceu na noite anterior. Ela diz a ele que tudo o que foi falado são signos, com exceção do cordeiro. Embora Capricórnio exista, o cordeiro não.

Enquanto isso, um café da manhã era preparado pelo corcunda. Os investigadores se dirigem à sala de jantar, atraídos pelo agradável cheiro da refeição preparada pelo mordomo. Lá chegando, eles encontram a mesa repleta de bolos, pães diversos, frutas, sucos, jarras de leite e doces exóticos. O corcunda se coloca em pé, ao lado da mesa, o que incomoda os investigadores. Watson pede a ele que se sente – ele, imaginando poder ser uma presença desagradável, inicialmente resiste ao pedido, mas acaba cumprindo a ordem.

Contudo, a refeição acabou sendo interrompida quando se ouviu os portões da mansão baterem com imensa força, como se alguém furioso entrasse; e o era. Manfredini adentra, se dirigindo à sala de jantar, e grita: “o que vocês fizeram? Vocês ficaram loucos? O reitor da universidade e mais policiais?”. Watson pede a ele para se acalmar, mas Manfredini continua. “Vocês são doentes?!”, ele grita. “Ao menos não temos sífilis”, diz Watson. O policial se lança contra o advogado, tentando socar seu rosto. Watson desvia, agarra Manfredini e se lança ao chão junto a ele. Manfredini tenta socar Watson, mas erra, e o advogado desfere um poderoso golpe contra o peito do policial. Manfredini rola no chão e começa a tossir sangue no piso. Todos observam o policial, temerosos. Watson se recompõe e tenta ajudar Manfredini a se levantar, mas ele recusa a ajuda. Henry se levanta, observa os investigadores e fala: “senhores, nossa sociedade acabou”. Quando o policial abandona a mansão, Holmes e Oliver se entreolham. Richard pensa por um momento se não seria melhor eliminar o policial, mas pergunta a Oliver se não seria melhor ir falar com o policial. O general assente.

O dois vão até o jardim e lá encontram Manfredini andando até sua viatura. Eles correm até o homem e o impedem. Manfredini revela sua vontade de abandona a polícia e sua ira em relação à corrupção generalizada em todas as instituições e sua impotência em relação a tudo que acontecia. Ele ainda revela que o ele só podia contar com os investigadores, mas se as coisas continuassem daquela forma, seria impossível manter a aliança. Holmes pede a ele que se acalme e retorne à mansão, pois eles tinham muito a discutir. Manfredini respira fundo, se recompõe e aceita.

Quando o policial retorna, ele logo faz um pedido de desculpas. O clima fica tenso, especialmente com as piadas feitas por Malvina em relação à situação. Van Helsing logo revela seu descontentamento com Manfredini na mansão, mas aceita a presença do policial lá. Eles comem e, após muito conversarem, decidem ir à casa de Barbara King para descobrir mais sobre Sullivan. Malvina releva poder acompanhar os investigadores, tendo em vista que a cartomante costumava visitá-la com certa frequência para oferecer seus serviços sobrenaturais, mas que, para tal, eles deveriam ir à casa pelo pelo período da noite. Eles aceitam a ideia.

Um pouco mais tarde, Watson vai a seu novo escritório. Mais uma vez, ele encontra sua sala completamente revirada, mas há algo diferente dessa vez: uma carta, sobre a mesa. Ele abre o envelope e vê a assinatura de Johnny Torrio. A mensagem só diz uma coisa: “você está dispensado, Watson”.

Richard também vai a seu escritório. Tudo estava normal, embora existisse uma grande quantidade de cartas não lidas. Ele lê algumas, encontrando uma mensagem de Charles, o médico que pediu que ele investigasse o que aconteceu a sua namorada. Ele ignora a carta e vai embora.

Oliver vai até seu quartel e lá descobre que o Marechal Bradok deseja falar com ele. Ele se dirige à sala do homem. Bradok era um sujeito alto e velho, de barba feita e cabelo perfeitamente alinhado, a rigor militar. Seus azuis olhos, mudados depois da Primeira Guerra, tinham algo de sinistro. Quando Oliver entra em sua sala, prestando continência, o marechal o dispensa brevemente. Bradok arruma alguns papéis em sua mesa, arruma sua farda, pigarreia e se levanta, enquanto Oliver somente o observa, com o devido respeito. Bradok então pergunta algo que surpreende Oliver. “Que é o policial com quem você está trabalhando?”, diz o marechal. Oliver, ainda surpreso, mente: “eu não sei do que você está falando”. Bradok ri e repete a pergunta. Oliver inventa um nome qualquer e Bradok o dispensa.

A Ordem estava crescendo.

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VictorSuzumura

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