Cthulhu Crisis

O Herdeiro Maldito - Terceira Parte

Ainda na mansão de Edward King, no quarto de Malvina, os investigadores questionam Van Helsing e a cartomante sobre os casos de envenenamento por picada de cobras em Chicago. Eles revelam não saber muito além do fato de uma mulher misteriosa, vista por Lubov em seus sonhos, estar envolvida de alguma forma com esses acidentes.

Em determinado momento, os investigadores escutam Manfredini começar a tossir fortemente no lado de fora do quarto. Assim que Watson sai do recinto, ele percebe que o policial limpa sua boca com um lenço, deixando leves marcas de sangue no pano. O advogado pergunta se ele está bem e Manny diz que sim. Ainda desconfiado, Steve pede a Van Helsing para que ele examine o policial. O médico pega seus equipamentos e faz alguns testes em Henry, que, ao término do improvisado exame, retira-se às pressas do local, voltando a aguardar do lado de fora. É possível notar que Manfredini se sentiu ofendido com a situação. Tanto o médico quanto os investigadores suspeitam que o policial pode ter sífilis.

Por fim, Van Helsing convida os investigadores a morarem na mansão, uma vez que eles se encontram em perigo. Após alguma resistência inicial, os quatro aceitam o convite.

Chicago,
Março, 1922.
NA UNIVERSIDADE

No dia seguinte, John Price conversa com Manfredini para tentar ingressar na polícia. O investigador pergunta ao criminoso o porquê dele se interessar na carreira policial e John diz que ele pretende “manter a ordem na cidade”. Manny ri e mostra o jornal do dia a Price. Muitas das matérias envolviam o ex-gângster e seu amigo Dr. Steve Watson; coisa que o policial sabia. John pensa rápido e responde a Manfredini, de forma irônica, que aqueles eram motivos suficientes para se desejar manter a ordem. O policial diz a John que fará o possível para inseri-lo na polícia, mas o adverte da dificuldade do processo.

Quando a noite chega, John, Watson, Oliver e Holmes decidem investigar a Universidade de Chicago, onde Sullivan estudava História. Eles estacionam o carro frente à imponente construção de paredes de tijolos rubros, composta por duas torres laterais e uma ala principal, onde havia o grande portão arqueado de madeira escura e grossa que levava ao interior do prédio. John permanece no carro e os demais entram. Após atravessarem o portão, eles se encontram em um largo e extenso corredor com duas escadas ao seu final, vários alunos conversando, além de portas e entradas diversas que levavam aos demais corredores e salas. Contudo, uma porta que aparentemente leva ao departamento administrativo chama a atenção do grupo.

Oliver se aproxima de um aluno e pergunta a ele se ele conhecia alguém chamado Sullivan King. O rapaz, incomodado pela presença do general, pergunta quem ele é. Oliver se diz ser um militar, o que provoca uma reação exagerada do aluno. Sem muita paciência, Oliver agarra o jovem pelo colarinho e repete a pergunta. O aluno passa a gritar com o general, chamando a atenção de todos. É quando sujeito alto, esguio, com uma notável barba branca aparece, perguntado o que estava acontecendo. Era o reitor.

Holmes, Oliver, Watson e o aluno são levados à sala do homem. Ele se apresenta como “Dr. Hudson”. Watson mostra um distintivo policial conseguido no seu confronto com a polícia, se apresentando com o nome de Doug. Oliver não revela sua profissão e só diz seu nome. Holmes fala seu nome e diz ter estudado naquela universidade. O reitor rapidamente resolve o conflito entre Oliver e o estudante, dispensando o jovem logo em seguida. Após isso, ele pergunta aos três o que eles faziam ali. Eles revelam procurar por mais informações sobre Sullivan King, dizendo que o homem estudou História naquele estabelecimento. Hudson aparentemente não se lembra de Sullivan, mas diz poder procurar por mais informações nas fichas escolares. Ele abandona a sala para só retornar quase uma hora mais tarde. O reitor diz que Sullivan não se destacou durante sua graduação, embora tenha escrito sobre temas não muito comuns no meio acadêmico. Segundo Hudson, a maior parte dos seus trabalhos fala sobre a espiritualidade e o misticismo no antigo Egito. O homem ainda acrescenta que ao buscar informações sobre Sullivan, ele se lembrou de ter o visto recentemente, em uma breve visita do ex-aluno a um de seus antigos professores: um sujeito chamado Robert Plant.

A informação logo desperta o interesse dos investigadores. Abandonando momentaneamente a ideia de encontrar os textos redigidos por Sullivan, Oliver, Watson e Holmes perguntam a Hudson onde Plant se encontrava. Eles descobrem que o professor ainda está na faculdade. Vendo a oportunidade dada pelo acaso, os três decidem encontrar o sujeito. O reitor diz que pode guiá-los a Plant e Watson decide retornar para ao carro para descansar, uma vez que o advogado estava ainda estava se recuperando de seus ferimentos.

Mais uma vez juntos, Holmes e Oliver seguem Hudson até a sala onde Plant provavelmente estaria. Eles atravessam corredores de paredes creme com barrados de madeira clara, parcialmente cobertos pelos muitos armários da universidade. Os investigadores caminham a passos lentos, com olhares desconfiados, como se já esperassem por algo. Afinal, se Plant realmente mantinha contato com Sullivan, no mínimo ele sabia dos crimes do jovem King.

Hudson se aproxima de uma porta fechada com uma placa dizendo “sala dos professores”. O reitor os conta que Plant estava provavelmente sozinho, tomando seu café, como de costume. Hudson se retira, alegando ter assuntos administrativos a tratar, deixando o general e o investigador sozinhos. Era hora de arrancar alguns segredos do velho Robert Plant.

Eles giram a maçaneta da porta para abri-la, mas só a empurram enquanto aguardam do lado de fora. O ranger das dobradiças despertam a curiosidade do pequeno e gordo professor que aguarda sentando a uma mesa circular, em meio à escuridão da sala, segurando uma caneca de café que libera uma fumaça branca e espessa. Ele bebe um pouco do fervente líquido negro, fazendo com que o recipiente acerte seus óculos de armação oval, cujas lentes são tomadas por uma fina camada de gotículas de águas. Ele repousa sua caneca, pega um lenço e limpa seus óculos. Sua face, repleta das marcas de sua avançada idade, combina com seu pouco e alvo cabelo despenteado.

“Pois não?”, pergunta o professor. “Há algo em que posso ajudar, senhores?”. Sobre a mesa, Oliver nota vários livros e anotações; entre eles, o general encontra a monografia de Sullivan, intitulada “Tradições e Rituais do Antigo Egito: Entre a Verdade e o Mito”. Sem tempo a perder, Oliver e Holmes questionam Plant sobre o livro e Sullivan. O professor diz que não há mais do que uma relação puramente acadêmica entre os dois, e que o livro faz parte de um estudo do próprio Plant, que revela pertencer ao departamento de antropologia. Cansado do jogo do professor, Oliver segura a gola de Plant e pergunta a ele o que realmente estava acontecendo. Robert diz que não há alguém que não saiba das ações de Holmes e Oliver em St. Michel, e que a Ordem do Grande Regente tem olhos em todos lugares. Gritando com o professor, o general o ordena que revele onde está Sullivan, mas ele não nota que Plant possui uma pistola. Enquanto o velho tenta sacar a arma, Holmes percebe o movimento e atira contra o professor. “Vocês não conseguem ouvir a música?”, pergunta Plant, enquanto ele deixa a vida. “Não”, diz Oliver, antes de fugir por uma janela da sala levando a monografia de Sullivan.

Do lado de fora da faculdade, Watson e Price logo percebem uma estranha movimentação. Os poucos alunos que ali restavam agora entravam no colégio – alguém havia avisado sobre a morte de Plant. Watson liga o carro e logo vê Richard e Oliver. Em meio à multidão composta por alunos, os investigadores veem Hudson correndo na direção contrária – ele sabia do que Oliver e Holmes fizeram.

No carro e em direção à mansão, Oliver lê a monografia de Sullivan. Há muito sobre rituais antigos e suas sinistras práticas, mas um capítulo do trabalho o chama atenção. Nele, uma página repleta de anotações e marcas fala sobre um ritual chamado “Herança Maldita”, que se baseia na passagem de um espírito maligno que atormenta aquele que pratica o ritual para uma criança ainda em ventre. A criança nascida deveria ser queimada e enterrada, ou algo terrível poderia acontecer. O texto ainda fala sobre a possibilidade de um poderoso espírito gerar outra criança em ventre – no caso, os dois recém-nascidos deveriam morrer.

Chegando à mansão dos King, a viatura de Manfredini aguarda na frente da casa. Eles adentram o local e encontram o policial sentado em um sofá, girando uma arma em sua mão. Manny se levanta e avança contra Oliver, vociferando e o culpando de agir de forma imprudente, tudo por conta da morte de Plant. Watson tenta acalmar Manfredini, mas tudo é em vão. O advogado chama Van Helsing, que falha em tentar acalmar o convidado. É nesse momento em que o policial dispara: “vocês são como crianças com uma arma!”. A língua afiada do Dr. Steve Watson rapidamente responde: “ao menos não brincávamos com uma arma”. Os dois se encaram e Manfredini parecia prestes a saltar contra Watson. O policial, há tanto tempo inimigo do crime, encarava o advogado que defendia mafiosos. Aquilo ainda não estava resolvido.

Comments

VictorSuzumura

I'm sorry, but we no longer support this web browser. Please upgrade your browser or install Chrome or Firefox to enjoy the full functionality of this site.